Eu entrei na academia pela enésima vez. Eu já nem sei em quantas academias eu me matriculei ao longo da vida. Desde criança eu entro e saio de coisas relacionadas ao corpo e exercícios físicos. Quando era criança minha mãe me obrigava a fazer natação por causa da minha bronquite. Eu odeio natação. Enchia tanto o saco dela que ela acabava me tirando. Mas passados alguns meses, ela voltava com essa idéia por que era importante pra minha saúde e tal e me matriculava de novo. Num dado momento acabou desistindo de vez. Daí eu já era adolescente e comecei a querer ficar bonita. Na fase dos 11 até uns 14 anos eu era muito feia. Sério mesmo. Eu era horrenda. Não agüento nem olhar as fotos daquela época. Meu cabelo mudou completamente. Engordei. Aquelas espinhas na cara. Meu Deus! Eu tinha que dar um jeito naquilo. Aí comecei a entrar em academias para tentar ficar com o corpinho maneiro. Por que eu tenho a bunda grande e pernas grossas. Odeio bunda grande e pernas grossas. E a cintura é fina. Então me achava desforme. Só que eu odeio ginástica. Então começou a peregrinação. Entrando e saindo de academias. Que eu me lembre foram umas 9 em cerca de 10, 11 anos.
Dessas todas, eu só gostei mesmo de duas. Uma foi na época do 3o ano. Eu estava estudando para o vestibular e tinha um namoro que sobrevivia nem sei como, aos trancos e barrancos. Eu estava bem magra, tinha perdido uns 7 quilos por causa do estresse daquele ano, que foi 99, mas achei que devia entrar na academia para fazer um exercício e melhorar minha saúde e meu ânimo liberando umas endorfinas. Eu saía da aula e ia direto para lá com a minha amiga Aline e fazíamos tudo juntas. É legal quando voce faz com uma amiga por que uma dá força pra outra. É bacana. Durante aquele ano deu tudo certo. No ano seguinte foi tudo por água abaixo. Não durei mais 6 meses na academia em 2000. Aline passou para uma faculdade, eu passei pra outra, nossas rotas já não estavam compatíveis com aquela academia (que ficava perto do cursinho) e muito menos nossos horários. Acabei saindo.
A outra vez que entrei numa academia e gostei foi em 2004. Fiquei até meados de 2005. Não tinha amiga pra ir comigo. E eu também não faço amizade em academia por que... sei lá por que, mas nunca consegui fazer amigos nesses lugares, sempre acho as pessoas muito nada a ver comigo. Mas de lá eu gostava por que além de ser muito perto da minha casa, tinha várias opções de aulas bacanas e os professores eram ótimos e super atenciosos. Ou isso é raro, ou eu não dou sorte por que sempre me senti meio largada nessas academias da vida que tem mais estudantes de educação física que ficam conversando num canto da sala do que professores formados que dão atenção aos alunos perdidos como eu. Tive que sair por problemas de horário. Comecei a trabalhar mais e mais, entrei na faculdade de Direito e quando olhava aquela tabela com 1500 aulas nos horários mais diversificados possíveis, via que não dava pra eu fazer absolutamente nada... Droga.
Agora entrei de novo. Mas a verdade é que eu estou me enganando mais uma vez. Quase não tenho ido, tudo vira desculpa para eu faltar. A academia é perto da minha casa e meu horário hoje é bem mais flexível, mas mesmo assim eu tenho preguiça e me dá um desânimo... A verdade é que eu tenho que perder 5 quilos. Por que estou de fato acima do meu peso, já que sou bem baixinha. No entanto, força de vontade para malhar (mesmo por que, é bom pra saúde, né?) ou fazer uma dietinha é zero. Eu quero ficar em forma, mas quero que caia do céu. Não quero me esforçar. Será que eu tenho que assumir a minha gordice? Eu penso como gordo. Ou pelo menos imagino que eu penso como eu acho que os gordos pensam. Se eu vou a um restaurante, olho o cardápio da sobremesa antes para ver se tem algo que eu goste e assim decidir se vou comer muito ou pouco na refeição. Dessa forma a sobremesa pode caber depois na minha barriga. Entendem o raciocínio? Isso não é pensamento de uma pessoa normal, não pode ser.
Minha mãe faz florais e outro dia me disse que iria fazer um para ver se eu controlava a minha fome. Contudo, meu problema não é fome, é gula. Pura e simples. Eu olho e sinto vontade de comer, principalmente se for doce. Fome é o de menos, eu raramente sinto fome a não ser que fique horas a fio sem comer.
Eu me irrito tanto com a minha preguiça, mas continuo estática e não faço nada pra mudar. Aff! Que saco! E ao mesmo tempo me irrito de estar acima do meu peso. Não é que eu seja altamente influenciada pela mídia e queria ficar esquelética, eu só quero que aquela calça jeans que cabia em mim há um ano atrás, volte a caber, vocês entendem? Por que ela está lá guardada no armário e eu não vou doar!
Nossa, esse post está parecendo uma daquelas cartas que o povo manda pro psicólogo do jornal e sai publicada no domingo...